As notícias estão repletas de gráficos e análises sobre o mercado de ações, o PIB e a inflação. Mas, nos últimos anos, um novo tipo de “ativo” tem roubado a cena e gerado discussões acaloradas entre economistas e analistas de mercado: os megashows de artistas como Taylor Swift e Beyoncé.
À primeira vista, pode parecer um exagero, mas o impacto econômico dessas turnês é tão massivo que tem sido comparado a eventos de grande porte como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas. Por isso, a pergunta que fica é: será que a cultura pop se tornou uma nova bolsa de valores, capaz de ditar o ritmo de economias inteiras?
Neste artigo, vamos mergulhar no fascinante conceito de “econotainment”, entender como as turnês de Taylor Swift e Beyoncé movimentaram bilhões e, mais importante, extrair lições valiosas para empreendedores que desejam prosperar na nova economia de nicho.
O Fenômeno Econotainment: Muito Além do Show
O termo “econotainment” (uma junção de “economia” e “entretenimento”) descreve o impacto econômico direto e indireto gerado por eventos de entretenimento de grande escala. Não se trata apenas da venda de ingressos ou de produtos oficiais. A verdadeira força do “econotainment” reside na capacidade de mobilizar um ecossistema completo de consumo.
Pense em um show. A cadeia de consumo começa com o fã que compra o ingresso. Mas, para muitos, essa é apenas a ponta do iceberg. A experiência se estende para:
- Viagem e Hospedagem: Fãs viajam de outras cidades e estados, impulsionando a receita de companhias aéreas, rodoviárias e, principalmente, de hotéis e plataformas de aluguel de temporada.
- Alimentação e Comércio Local: Restaurantes, bares e lojas em um raio de quilômetros do local do show veem suas vendas explodirem.
- Vestuário e Acessórios: A busca pelo “look perfeito” para o show, muitas vezes inspirado no estilo do artista, movimenta o varejo de moda e de maquiagem.
- Empregos Temporários: A montagem e a logística dos eventos geram milhares de empregos temporários, de segurança a vendedores.
Essa teia complexa de consumo injeta bilhões na economia local, criando o que se pode chamar de “efeito multiplicador”. O dinheiro gasto por um fã em um show se espalha pela comunidade, gerando novas transações e, consequentemente, mais riqueza.
A Força de Swift e Beyoncé em Números
As turnês de Taylor Swift e Beyoncé são exemplos perfeitos do “econotainment” em ação. Seus números são estratosféricos e, em alguns casos, superam o PIB de pequenas nações.
- A “Era de Ouro” de Taylor Swift: A “Eras Tour” de Taylor Swift não foi apenas uma série de shows; foi um evento econômico global. Nos Estados Unidos, a turnê injetou cerca de $4.3 bilhões no PIB, um valor comparável à economia de vários países. Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, os shows também geraram um movimento financeiro significativo. A demanda por hospedagem e transporte cresceu exponencialmente, e os estabelecimentos próximos aos estádios registraram um aumento recorde nas vendas.
- O “Renascimento” de Beyoncé: A “Renaissance World Tour” de Beyoncé também causou um impacto financeiro impressionante, gerando cerca de $4.5 bilhões em atividade econômica, segundo estimativas. A turnê, que infelizmente não passou pelo Brasil, demonstrou o poder de mobilização da artista, com fãs viajando por todo o mundo para assistir às apresentações e gastando, em média, cerca de $1.800 por show em ingressos, transporte, hospedagem e vestuário.
Esses números mostram que o apelo cultural desses artistas transcende a música. Eles criam uma experiência imersiva que impulsiona o consumo de forma massiva e coordenada. A “bolsa de valores” aqui não está atrelada a commodities ou ações, mas sim a um ativo intangível: a paixão e a fidelidade de uma base de fãs.
Lições para Empreendedores: Construindo sua “Economia de Nicho”
O sucesso das turnês de Taylor Swift e Beyoncé não é mera sorte. Ele é resultado de uma estratégia genial que se alinha com as novas tendências da economia. Para os empreendedores, há lições valiosas a serem aprendidas com esse fenômeno:
- 1. Entenda e Abrace seu Nicho: A era do “para todos” está com os dias contados. O sucesso hoje está em focar em um nicho de mercado específico e construir uma comunidade leal em torno dele. Taylor Swift e Beyoncé não tentam agradar a todos. Elas constroem experiências únicas para seus “fãs” — os “Swifties” e a “BeyHive” —, que se sentem parte de algo maior.
- 2. Venda a Experiência, Não Apenas o Produto: A chave não é apenas o ingresso para o show, mas a experiência completa. Como empreendedor, você pode replicar isso. Em vez de apenas vender um produto ou serviço, crie uma experiência memorável para o seu cliente. Isso pode ser um atendimento personalizado, um evento exclusivo ou um produto que se conecta com a identidade do seu público.
- 3. Crie Conteúdo e Fortaleça a Comunidade: O engajamento das turnês de Swift e Beyoncé foi impulsionado pelas redes sociais. Os fãs compartilharam cada detalhe, desde o visual até os momentos do show, criando um marketing orgânico e viral. Para o seu negócio, isso significa investir em conteúdo de qualidade que ressoe com seu público e incentivá-lo a interagir e compartilhar. A comunidade se torna sua maior ferramenta de marketing.
- 4. Monetize em Várias Camadas: Os artistas de “econotainment” não dependem apenas da venda de ingressos. Eles criam múltiplas fontes de receita: produtos oficiais, filmes de turnê, parcerias com marcas e muito mais. Pense em como você pode diversificar a receita do seu negócio, oferecendo produtos ou serviços complementares que atendam aos desejos do seu nicho de mercado.
Conclusão: A Economia Criativa como Motor de Crescimento
A ascensão do “econotainment” e o impacto financeiro de artistas como Taylor Swift e Beyoncé são um lembrete poderoso do potencial da economia criativa. No Brasil, o setor de eventos tem se mostrado um dos principais motores de crescimento, com uma geração de empregos que supera a média nacional.
Se antes as grandes apostas financeiras estavam nos setores tradicionais, hoje a inovação e o sucesso vêm da capacidade de criar valor emocional e comunitário. A próxima “bolsa de valores” pode não estar em Wall Street ou na B3, mas sim no próximo grande evento cultural, movido pela paixão de milhões de fãs.
E você, já pensou em como a paixão do seu público pode ser a alavanca para o sucesso do seu negócio? O futuro é de quem entende que o capital mais valioso é o que se constrói com conexão e propósito.